ESCOLAS AGRÍCOLAS GANHAM MAIS QUALIDADE

Um estado com forte tradição em agricultura tem, no ensino da área, importante contribuição às escolas técnicas agrícolas. Com 56 instituições no Rio Grande do Sul, divididas em federais (19), estaduais (26), municipais (3) Escola Família Agrícola/Efa (4) e comunitárias (4), os colégios oferecem ensinos Fundamental, Médio e Técnico, muitos com regime de internato.

O presidente da Associação Gaúcha de Professores Técnicos de Ensino Agrícola (Agptea), Fritz Roloff, considera que as escolas tiveram um salto de qualidade com a chegada da Tecnologia da Informação (TI) no campo e a aquisição de maquinários e equipamentos. “Hoje, não podemos mais entender o técnico agrícola como antigamente, pois ele precisa estar integrado e conectado com o mundo virtual, visto que os controles sanitários de animais são monitorados pela tecnologia”, argumenta.

As escolas estaduais, segundo o dirigente, tiveram um incremento em tecnologia superior a R$ 20 milhões nos últimos anos. São inovações na compra de tratores e máquinas para diversificar as atividades na lavoura. Porém, ele salienta que “as escolas da rede federal foram as que mais receberam aporte de verbas nos últimos dez anos”.

Formato e Mercado

A pandemia fez os colégios trabalharem com ensino remoto, mas não é a metodologia usual. E, atualmente, oferecem apenas estudos presenciais. “As Efas trabalham com alternância, que proporciona aos alunos um período na escola em internato, adquirindo conhecimentos da área, e outro com a família, no campo”, explica Fritz.

Os estudantes ainda podem frequentar ensinos concomitantes e ter duas matrículas. “Eles conseguem fazer o Ensino Médio em uma escola e o Técnico em outra ou, ainda, optar pelo estudo integrado, se formando nos ensinos Médio e Técnico juntos”, revela. E outra modalidade é o subsequente, quando o estudante já está formado, trabalha e busca um curso técnico voltado para a agricultura.

Os cursos técnicos, entre eles, Agropecuária e Zootecnia, têm duração média de dois anos. O piso da categoria é R$ 2,7 mil, para uma carga horária de oito horas semanais. No entanto, o presidente da Agptea critica, que “o próprio Estado do RS, quando contrata técnicos agrícolas para atuar nas escolas, paga em torno de R$ 1,5 mil, não cumprindo o mínimo que é estabelecido para a categoria”.

Dados da Associação indicam que as escolas do setor estão inovando na diversificação de ensino, como em Candelária (Escola Estadual de Ensino Médio Gastão Bragatti Lepage) e Tapera (Instituto Estadual de Educação Nossa Senhora Imaculada), que oferecem curso Técnico em Agronegócio, e em Guarani das Missões (Escola Técnica Estadual Achilino de Santis) e Venâncio Aires (Escola Estadual de Ensino Médio Wolfram Metzler), com estudos de Técnico em Agroindústria.

Perfil dos alunos

Fritz percebe que o perfil dos alunos das escolas agrícolas vem mudando. “Há 10 anos, 80% eram filhos de agricultores. Hoje, já temos mais de 50% do meio urbano.” A alteração ocorre em razão do êxodo rural na avaliação do presidente, “pois a pequena propriedade foi engolida pela grande”. Entretanto, ele analisa que essa situação está mudando, pois começa a ocorrer um movimento inverso. “Na cidade está se observando que a vida no Interior pode ser boa, pois a tecnologia está permitindo isso, além do aumento do desemprego.”

Além disso, o ensino é afetado diretamente pela diversificação no campo. “Na Campanha, estão investindo em fruticultura, com plantio de oliveiras, noz pecan e uva”, acrescenta. Com esse cenário, as escolas começam a investir fortemente em qualificação profissional de professores e técnicos. E são formados cerca de mil alunos anualmente.

Na Expointer deste ano, em Esteio, entre os dias 27/8 e 4/9, a Associação vai promover a primeira feira de pesquisa em Educação Profissional para as escolas agrícolas do Estado. “Nosso objetivo é que a pesquisa envolva os alunos como protagonistas da ação pedagógica. Queremos que as escolas desenvolvam, cada vez mais, a pesquisa, como metodologia de ensino. Buscamos fugir do conceito da expressão ‘o professor ensina e o aluno aprende’”, assegura.

Dentre as escolas, a de Palmeira das Missões é a que tem mais alunos: 200, em internato. Depois, com aproximadamente cem matriculados em cada, vêm as de Carazinho, Erechim e Viamão (a mais antiga do RS). Já os cursos técnicos oferecidos são em Agropecuária, Agricultura, Agroindústria, Agronegócio, Florestas e Zootecnia. Consulta às escolas: bit.ly/3aU2jTO.

Comentários