AZEITES GAÚCHOS GANHAM DESTAQUE INTERNACIONAL

Com 17 anos de experiência, a Estância das Oliveiras acumula em 2022 duas medalhas de ouro, uma de prata e uma posição entre os 100 melhores do mundo em Nova York, no início de maio; três medalhas de ouro e duas de prata na Itália, no final de maio; e quatro medalhas de ouro, além da posição entre os dez melhores do mundo e reconhecimento de melhor azeite do Brasil em Israel, em julho. De acordo com Goelzer, essas premiações são resultado de uma produção voltada à qualidade, não à quantidade. A propriedade tem 26 hectares plantados, com seis variedades de oliva, sem perspectiva de aumento de área pelo menos nos próximos três anos. Cada uma das variedades cultivadas confere características diferentes ao azeite. A variedade espanhola arbequina, por exemplo, tem características mais delicadas, com gosto frutado que lembra banana e maçã verde; já a grega koroneiki tem sabor mais forte.

Baseando-se nessas características únicas de cada tipo de azeitona, é o próprio Goelzer que cria as misturas, ou blends. O Blend Exclusivo, por exemplo, é uma mistura da koroneiki, da arbequina e da arbosana, também espanhola. “Então a gente tem um azeite com uma característica verde (gosto de vegetais), mas também tem a parte que lembra banana, maçã, goiaba…”, explica o mestre de lagar. Segundo ele, quando é feita uma mistura, a intenção é dar uma maior complexidade de cheiros e sabores. Assim, a Estância das Oliveiras procura atender todos os gostos, oferecendo desde o blend Signature, com sabor mais amargo e picante, ao azeite kids, que vai ser lançado este ano, com um sabor suave. No nível intermediário da escala, os monovarietais de arbequina e koroneiki são versáteis, combinando até com sobremesas.

Essa preocupação começa antes da plantação das oliveiras. Como a planta é originária da região do Mediterrâneo, com solos de pH básico, de rocha calcária, e o Brasil tem solos ácidos, é necessário aumentar o pH. Na Estância das Oliveiras, o solo original tem níveis de pH entre 4.6 e 4.8 e foi necessário deixá-lo próximo ao pH neutro, que é 7.

Os desafios para os produtores de oliveiras no Rio Grande do Sul não se limitam a questões como o manejo do solo e as escolhas de variedades adaptadas. Uma das grandes dificuldades da produção no Brasil está no clima. Enquanto nas regiões nativas das oliveiras os índices pluviométricos ficam entre 380 e 420 milímetros por ano, no Rio Grande do Sul e em cidades como Viamão são de 1,8 mil a 1,9 mil milímetros. As árvores no Brasil crescem mais rapidamente, mas também envelhecem mais rápido, então precisam ser podadas no inverno. As árvores são arranjadas em linha com espaçamento em losango de 7 metros por 7 metros entre elas, o que proporciona mais luminosidade e consequentemente mais sanidade para a planta e qualidade de frutos.

Na Estância das Oliveiras, a estratégia é intercalar as variedades nessas linhas, para favorecer um processo chamado de polinização cruzada, em que uma variedade auxilia a outra a aumentar o número de flores que conseguem gerar frutos, efeito potencializado pela presença de 57 colmeias de abelhas nativas por toda a propriedade. Com essas otimizações, as árvores da estância alcançam a produtividade de 20 quilos por pé.

Christian Vogt, o pai e o irmão comemoram os prêmios recebidos pelo azeites do Pomar Milonga, localizado em Triunfo, em sua primeira participação em competições. No Evo Iooc Itália, o blend de arbequina e coratina da marca ganhou o título de melhor do Hemisfério Sul e o de koroneiki ganhou medalha de prata. O pomar da família, com 50 hectares de oliveiras, começou a tomar forma em 2015, quando a família percebeu que era possível implantar a olivicultura no Rio Grande do Sul e começou a fazer estudos, descobrindo que o solo tinha características de drenagem de água, pH e disponibilidade de matéria orgânica adequados à cultura. “Tem um risco, porque não é uma atividade conhecida, mas no ano passado a gente foi bem surpreendido”, relata Vogt.

 

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