CICLONE AVANÇA NO RIO GRANDE DO SUL

Mais de 40 municípios do Rio Grande do Sul estão na potencial rota do ciclone subtropical que atinge o território gaúcho a partir desta terça-feira, segundo boletim meteorológico da MetSul. Apesar de ainda possuir trajetória imprecisa, o que é comum em situações de fenômenos climatológicos extremos, o cenário já é de alerta máximo no estado.

Segundo projeções divulgadas pela MetSul, o ciclone deve ingressar pelo Sul gaúcho, o que fará com que a velocidade do vento se intensifique muito ao longo da tarde e noite de terça-feira, primeiramente pela região extremo Sul e depois para áreas mais ao Sul da Lagoa dos Patos. Na sequência, na noite desta terça, o campo de vento extremamente forte vai se mover pela Lagoa dos Patos e pelo litoral até áreas mais ao Sul do Litoral Norte.

No começo da quarta, o vento sopra forte na Serra e atinge com mais força áreas entre o Norte da Lagoa dos Patos e o Litoral Norte. Por isso, em Porto Alegre, o pior do vento deve ocorrer no final da terça e nas primeiras horas da quarta.

“Trata-se de situação de elevado perigo meteorológico e de extremo risco à população com alta probabilidade de danos e comprometimento de serviços públicos essenciais como luz e água”, alerta a MetSul, ao explicar que ainda que a trajetória precisa seja difícil de indicar, não há dúvidas sobre a gravidade do fenômeno que atingirá o estado: “Todos os dados de modelos meteorológicos, sem exceção, indicam um ciclone muito intenso e com valores de pressão extremamente baixos junto ao Leste do Rio Grande do Sul. A pressão no centro do ciclone pode cair a valores tão baixos quanto 980 hPa ou menos, equivalentes a de um furacão categoria 1 fosse um ciclone tropical no Atlântico Norte.”

Confira a lista de municípios com maior risco de registrar problemas causados pela passagem do ciclone:

  • Chuí
  • Santa Vitória do Palmar
  • Pelotas
  • Rio Grande
  • Capão do Leão
  • São José do Norte
  • Piratini
  • Pedro Osório
  • Pinheiro Machado
  • Morro Redondo
  • Turuçu
  • São Lourenço do Sul
  • Cristal
  • Camaquã
  • Mostardas
  • Tapes
  • Sertão Santana
  • Cerro Grande do Sul
  • Sentinela do Sul
  • Mariana Pimentel
  • Guaíba
  • Barra do Ribeiro
  • Eldorado do Sul
  • Viamão
  • Porto Alegre
  • Canoas
  • Gravataí
  • Cachoeirinha
  • Alvorada
  • Glorinha
  • Osório
  • Santo Antônio da Patrulha
  • Palmares do Sul
  • Balneário Pinhal
  • Cidreira
  • Tramandaí
  • Xangri-lá
  • Imbé
  • Capão da Canoa
  • Arroio do Sal
  • Maquiné
  • Terra de Areia
  • Três Cachoeiras
  • Torres

Nesta segunda-feira, ao confirmar a gravidade do cenário e alertar para a necessidade de adoção de medidas de contenção, a Defesa Civil Nacional confirmou que fará boletins a cada 12 horas com a atualização do avanço do ciclone. Serão estas atualizações que poderão confirmar se o ciclone vai evoluir para um furacão.

Todo o furacão é um ciclone tropical, mas nem todo ciclone tropical é um furacão. Entre outros aspectos, os requisitos que podem diferenciar os níveis de gravidade do fenômeno estão relacionados à força dos ventos sustentados, ou seja, registrados de maneira constante em determinada localidade e não apenas as rajadas. Neste contexto, ventos sustentados entre 30 km/h e 60 km/h indicam uma depressão tropical. Entre 60 km/h e 120 km/h, uma tempestade tropical. Apenas se a força do vento ultrapassar 120 km/h ele sobe para a categoria de furacão.

Segundo projeta a MetSul, o ciclone será uma forte tempestade tropical que deve ficar perto do limite de um furacão categoria 1. Projeção de modelos computadorizados sugerem a formação de um ‘olho’ no centro da tempestade, uma característica de ciclones tropicais.

 

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Terça-feira, 18h
Nestas projeções, o olho do ciclone Yakecan deverá atingir a costa do litoral Sul do estado no fim da tarde e início da noite desta terça-feira.

Terça-feira, 20h
No começo da noite, o centro da tempestade estará à leste de Pelotas e Rio Grande, ainda na região Sul do estado.

Terça-feira, 23h
No fim da noite, a ‘parede de nuvens’ no centro da tempestade com vento intenso atinge a região da grande Porto Alegre.

Quarta-feira, 4h
Já na madrugada de quarta-feira, o centro do ciclone deve atingir a costa do Litoral Norte. Após, deve deslocar-se para o mar.

Monitoramento internacional indica ciclone tropical

O consenso entre os meteorologistas brasileiros até ontem era de que o ciclone Yakecan seria subtropical, mas dados desta segunda-feira indicaram que o sistema pode ser tropical.

Segundo a MetSul, o meteorologista Michel Davison, chefe da seção internacional do Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos (NWS), avalia uma transição de um modelo subtropical para tropical.  Davison revelou que está em diálogo direto com a Marinha do Brasil sobre a evolução do ciclone.

O meteorologista Ryan Maue, considerado um dos maiores experts em ciclones dos Estados Unidos e que atuou no Naval Research Laboratory, usou as redes sociais para comentar sobre o ciclone na costa gaúcha nesta segunda-feira e também afirmou que o ciclone vai ser uma tempestade tropical.

“Que ciclone tropical se forme numa onda de frio é absurdamente incomum, mas já havia ocorrido nas costas uruguaia e gaúcha no final de junho de 2021 com a tempestade Raoni. Antes, a tempestade Anita (2010) e o furacão Catarina (2004) foram os ciclones tropicais que atuaram junto ao litoral gaúcho em meses quentes”, analisa a MetSul.

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