USO DE ROBÔS DEIXAM SOB SUSPEITA ELEIÇÕES DO INTERNACIONAL

A última eleição colorada, que colocou Alessandro Barcellos na presidência e renovou 50% das cadeiras do Conselho Deliberativo no final de 2020, teve alguns problemas relevantes que podem ser indícios de fraude. Essa é a principal conclusão de uma perícia que foi feita, com autorização da Justiça, no sistema de votação usado pelo clube na eleição. O laudo foi concluído após quatro meses de trabalho e anexado na tarde de terça-feira a uma ação cautelar movida por 12 conselheiros, mas o CP teve acesso a trechos do documento.

O processo foi aberto alguns meses depois da divulgação dos resultados, em outubro de 2021. Um dos autores é o conselheiro José Aquino Flores de Camargo, que foi o candidato derrotado por Barcellos no segundo turno daquela eleição. Segundo o próprio Aquino, que já ocupou a presidência do Conselho Deliberativo do clube, declarou na época, a ação foi motivada por uma série de informações que colocaram em dúvida a integridade do sistema de votação.

Pelo menos em parte, tais informações foram confirmadas pelo perito nomeado pela Justiça para avaliar todo o processo. O relatório, que já está à disposição do Inter e também dos 12 autores da ação, tem 106 páginas e, por exemplo, deixa em aberto a possibilidade de robôs terem participado da votação. Isso fica evidente quando o perito afirma que um determinado associado “tentou votar várias vezes no mesmo instante, o que seria humanamente impossível”. Importante ressaltar que o trabalho do perito não aponta culpados ou responsáveis, apenas as inconsistências do processo.

Em outro trecho do relatório, o perito confirma que milhares de códigos de verificação foram gerados exatamente no mesmo horário: “Usando como exemplo o timestamp22 1608052522507, que equivale ao momento 15/12/2020 às 14:15:22.507 (horário brasileiro), é bastante improvável que 3.824 (três mil oitocentos e vinte e quatro) usuários tenham gerado seus códigos de verificação pontualmente no mesmo instante, com precisão de milissegundos”.

Além disso, o perito afirma que há “10.077 registros de votos com código expirado” e que foram identificadas “inúmeras ocorrências de tentativas de votos no mesmo instante de tempo, fato que seria humanamente impossível”, o que seria mais um indício de uso de robôs. Outro ponto grave é quando afirma que “as análises realizadas demonstraram que vários sócios conseguiram registrar mais de um voto, gerando desconfiança na integridade do banco de dados”.

Em suas observações, o perito diz que “com base na doutrina, considerando os pilares da segurança da informação e sistemas: a Confidencialidade, Integridade e Disponibilidade, não podemos considerar os sistemas como seguros pois foram comprometidos os pilares da Integridade e Disponibilidade.

Naquela eleição, realizada em 15 de dezembro de 2020, Alessandro Barcellos, da Chapa 5, superou o candidato José Aquino Flores de Camargo, da Chapa 3, no segundo turno das eleições coloradas. Barcellos teve 16.522 votos, contra 9.600 votos de Aquino. Também foram computados 565 votos em branco e 2.354 nulos. Ao todo, 29.041 dos 64.956 associados aptos votaram.

Posicionamentos

Os 12 conselheiros que ingressaram com a ação cautelar lá em dezembro de 2020 ainda não definiram o que farão com o resultado da perícia, mas é certo que ela dará muito pano para manga nos bastidores políticos colorados nos próximos meses.

A direção colorada afirmou que o laudo aponta “inocorrência de qualquer indício de fraude ou favorecimento durante o processo eleitoral”.

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