RÚSSIA AMEAÇA COM 3ª GUERRA MUNDIAL

Quando começou a guerra na Ucrânia, em 24 de fevereiro, se descartava um enfrentamento direto entre a Rússia e as forças da Otan, simplesmente porque a Ucrânia não é membro da Aliança Atlântica. No entanto, na medida em que o tempo vai passando, os combates vão aumentando e o diálogo nem acontece mais. Os novos fatos aumentam o temor de que aquela confrontação venha a acontecer.

Senão, vejamos: as atrocidades cometidas pela Rússia na Ucrânia têm chocado o mundo. São ataques contra maternidade, hospital infantil, uma estação de trem, a uma infinidade de prédios residenciais, além de civis em fuga. Tudo isto está fazendo o Ocidente se mobilizar em ajuda militar à Ucrânia. Primeiro eram enviados armamentos defensivos, agora, porém, são armas pesadas de ataque que estão sendo enviadas. Assim fizeram esta semana Estados Unidos e Holanda. Sendo que os norte-americanos estariam preparando também o envio de aviões de combate.

Em resposta, o presidente russo, Vladimir Putin, foi à TV estatal russa, nesta quarta-feira, anunciar a realização com sucesso de teste com um novo míssil intercontinental, chamado de RS-28 Sarmat e conhecido no Ocidente como Satã-2. Detalhe: o míssil é capaz de conduzir ogivas nucleares. Ao anunciar o pronunciamento de Putin, a apresentadora da TV estatal disse que o país se preparava para a Terceira Guerra. E nesta guerra a Rússia já se manifestou algumas vezes de que poderá usar armas nucleares. E quando faz um teste com um míssil que pode carregar uma ogiva nuclear e que pode atingir não só qualquer país da Europa, mas até mesmo os Estados Unidos, deixa mais explícita esta ameaça. Uma ameaça que sacode com um período de 70 anos de dissuasão nuclear. E que, ao mesmo tempo, ameaça romper com o chamado “equilíbrio do terror”, pelo qual uma potência sabia que se destruísse outra com arma atômica, também seria destruída. Talvez seja esta última possibilidade que nos leve a crer que Putin estaria blefando ao fazer suas ameaças.

Porém, em entrevista à AFP, Pavel Luzin, analista do Instituto Riddle, com sede em Moscou, afirmou que a Rússia poderia usar uma arma nuclear tática “para desmoralizar um adversário, para impedir que o inimigo continue lutando”. Só que, neste caso, embora o conflito ainda estivesse restrito à Rússia e à Ucrânia, os ucranianos não ficariam sozinhos, pois um tácito acordo existente entre o Ocidente e o Oriente sobre não uso de arma nuclear seria quebrado. E daí todas as implicações decorrentes.

Portanto, o uso de arma nuclear ainda é apenas uma ameaça de Putin, entendida como um fator de dissuasão, porém, de quem cercou militarmente a Ucrânia afirmando que estava apenas fazendo exercícios militares e depois invadiu aquele país, tudo se pode esperar. Acrescente-se ainda que a maior parte da população russa só recebe as informações que são transmitidas pelos órgãos oficiais de imprensa, pois a imprensa livre foi cerceada. Estão recebendo lavagem cerebral. Isto faz, por exemplo, com que um jornalista brasileiro, meu amigo, que está há quase 30 anos na Rússia, tenha dito em uma live que “o Ocidente está arrastando a Rússia para uma guerra nuclear”.

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