AGRICULTURA TEM CASOS DE PERDA TOTAL

No Sul do RS, estiagem gera prejuízos de R$ 250 milhões

Os produtores de milho do Rio Grande do Sul vão guardar de 2022 a lembrança de um dos piores anos da cultura em toda a história. Dados já consolidados pela Emater/RS-Ascar apontam para prejuízos superiores a 40% na safra do grão, mas há áreas onde a perda foi de 100%, como em diversas propriedades rurais do Planalto Médio. O diretor administrativo da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro), Sérgio Feltraco, afirma que a paisagem na região de Soledade é desoladora. Também lembra que em sua trajetória de agrônomo não tinha visto situação igual. Observa ainda que os grandes prejudicados são os agricultores familiares com pequenos cultivos e, em especial, os produtores de leite.

Vinicius Ottoni é um dos produtores gaúchos de milho que tiveram de enfrentar perda total das lavouras. Dos 45 hectares plantados com o grão em setembro de 2021, em Rincão do Bugre, interior de Soledade, o agricultor não conseguiu salvar nada. “Nem sequer as espigas apareceram nas plantas”, conta Ottoni, que fez a semeadura dentro do zoneamento agroclimático, utilizando cultivar de ciclo precoce. Quando constatou que nada cresceria, o produtor decidiu destruir a área. “Cheguei a plantar soja no local, mas por causa da seca nem esta brotou”, relata.

Ottoni acionou o Proagro para a área perdida com o milho, mas ainda não obteve resposta. Ele esperava colher 150 sacos de grão por hectare, que, estima, lhe renderiam um faturamento de R$ 500 mil. A família também plantou cerca de 300 hectares de soja, nos quais também há perspectiva de quebra. “Do que plantei antes de dezembro devo colher uns 10 sacos por hectare”, prevê. “Do semeado a partir de dezembro, não dá pra esperar nada, porque não cresceu”, complementa.

O presidente da Associação dos Produtores de Milho do Rio Grande do Sul (Apromilho), Ricardo Meneghetti, afirma que a situação é de fato crítica em alguns plantios em consequência da estiagem. Ele mesmo perdeu uma lavoura inteira de 30 hectares de milho em Chiapetta, na Região Noroeste. Depois replantou o terreno com soja, mas não teve sucesso. “Estou vendo a soja morrer também”, lamenta.

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