FAMÍLIA DE VILA FLORES INVESTE EM PLANTAÇÃO HIDROPÔNICA

Os brasileiros têm investido no empreendedorismo. Dois em cada cinco brasileiros, entre 18 e 64 anos, estavam à frente de uma atividade empresarial ou tinham planos de desenvolver alguma ação neste sentido em 2018, de acordo com estudo do projeto Global Entrepreneurship Monitor (GEM), em parceria com o Sebrae e a Universidade Federal do Paraná, divulgado em 2019. Sendo assim, aproximadamente 52 milhões de brasileiros em idade produtiva estavam envolvidos com alguma atividade empreendedora no último ano.

Em Vila Flores, o desejo de ter o próprio negócio foi o que moveu Lucineia Cardoso a buscar uma forma de empreender. Em 2015, após anos trabalhando em uma indústria metalúrgica, ela decidiu unir a vontade de trabalhar por conta própria, o gosto pela agricultura e o desejo de ocupar o espaço ocioso da propriedade da família, localizada na Comunidade de São Jorge. Assim surgiu a ideia de iniciar uma plantação hidropônica, na qual o plantio é feito na água e não no solo. O marido, Fernando Zancanaro, deixou o serviço público para encarar com ela a nova empreitada.

O negócio caminha para seguir com a sucessão familiar, um tema de grande relevância com o qual o Poder Público de Vila Flores busca contribuir, incentivando a permanência dos jovens no meio rural. A pequena Isabela Cardoso Zancanaro, de 5 anos, acompanha os pais atenta em cada detalhe. “Ela já conhece todo o processo e gosta de ajudar”, conta Zancanaro, com um sorriso acompanhando a filha em meio às bancadas. A mãe, ao ver a menina carregando um dos pés de alface, completa orgulhosa: “Aí está o futuro de Vila Flores”.

Eles investiram na estruturação de uma estufa e participaram de cursos para aprender as técnicas de trabalho. Após cerca de um ano do início do projeto o casal já precisou dobrar o espaço de cultivo. Hoje eles possuem uma área de 840m², com lugar para 16 mil plantas. O principal produto é a alface, em três tipos (mimosa, crespa e lisa), mas também possuem rúcula e agrião. Entre as vantagens da hidroponia estão a ocupação de um espaço reduzido, se comparado ao plantio tradicional, e ter o clima da estufa controlado, permitindo produzir o ano todo.

Lucineia ressalta que com o tempo foram entendendo mais como manter a produtividade com a mudança climática da região. “No inverno elas se desenvolvem mais devagar, levando uns 80 dias para estarem prontas para o comércio. Já no verão todo processo leva 45 dias. Com isso, precisamos ter mais mudas na época de frio”, descreve. A produção tem despertado o interesse e vem atraindo clientes de municípios da região. A secretária da Agricultura de Vila Flores, Cleusa Curtarelli, visitou o empreendimento no final de julho e parabenizou a família pela iniciativa.

O casal explica que toda a água utilizada é, de alguma forma, reaproveitada. As mudas ficam separadas em bancadas conforme o nível de desenvolvimento, do berçário até estarem prontas para a comercialização. Cada bancada tem um sistema com uma caixa d’água em um extremo, na qual a água entra, e é bombeada para a outra extremidade da mesa, passando pelas canaletas onde a raiz das plantas tem contato com o líquido, que possui os nutrientes necessários. A água escorre, utilizando a gravidade (um lado é mais alto que o outro) e retorna para a caixa d’água, onde reinicia o ciclo. Depois que as mudas são retiradas da bancada e o local irá receber outras plantas, aquela água com os nutrientes é destinada para outro reservatório e o conteúdo utilizado para irrigar a lavoura. 

Comentários